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01/04/2008
A maternidade, a forma em que as sociedades a gerem, os significados sociais e subjetivos que se lhe atribuem foi um campo ao que se deu muito pouca importância no âmbito dos estudos das ciências sociais.
Elixabete Imaz Martínez
Sobre este tema gira a tese doutoral que Elixabete Imaz Martínez realizou na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade do País Vasco (UPV/EHU).
O objeto de estudo do trabalho defendido pela antropóloga Elixabete Imaz Martínez na Universidade do País Vasco (UPV/EHU) são as mulheres que se convertem em mães, e contempla o processo simultâneo de transformação física e trânsito a uma nova categoria social.
A maternidade, a forma em que as sociedades a gerem, os significados sociais e subjetivos que se lhe atribuem foi um campo ao que se deu muito pouca importância no âmbito dos estudos das ciências sociais.
Sobre este tema gira a tese doutoral que Elixabete Imaz Martínez realizou na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade do País Vasco (UPV/EHU). Dito trabalho estuda o período no que as mulheres se convertem em mães e contempla a mudança simultânea de transformação física e passo a uma nova categoria social.
O trabalho doutoral titulado Mulheres gestantes, mães em gestação. Representações, modelos e experiências no trânsito à maternidade das mulheres vascas contemporâneas foi dirigido pela catedrática do Departamento de Filosofia dos Valores e Antropologia Social Teresa do Valle Murga, e obteve a qualificação de sobressalente cum laude. Elixabete Imaz desfrutou de várias estadias em diversas universidades estrangeiras onde completou o conteúdo de sua tese: Instituto de Ciências Antropológicas da Universidade de Buenos Aires (2005), equipe Simone-Sagesse da Universidade de Toulouse-Lhe Mirail (2003) e Basque Studies Center da Universidade de Nevada, Rena (2002).
Elixabete Imaz é bacharel em Ciências Políticas e Sociologia pela Universidade Complutense de Madri e atualmente é professora interina do Departamento de Filosofia dos Valores e Antropologia Social da UPV/EHU.
Um período significativo
Esta tese aborda um período especialmente denso e significativo na trajetória vital de muitas mulheres, o trânsito à maternidade durante a gestação e nascimento de seu primeiro filho ou filha, tendo em conta as diversas dimensões que compõem a experiência desse período vital.
Procura-se analisar como se produz o trânsito a uma nova posição social, a de mãe, num momento como o atual no que a maternidade se descobre como um lugar de disputa na redefinição das relações de gênero e do que são as mulheres.
Define-se assim um âmbito de investigação que é um lugar preferencial na construção da subjetividade individual e um campo em pleno processo de mudança, no que se propõem aspectos importantes da consecução da igualdade entre os homens e as mulheres.
Este interesse é ainda maior num contexto no que a fecundidade das mulheres e o devir da família se estão propondo como problemas políticos —com umas taxas de natalidade que competem entre as mais baixas do mundo— e jurídicos —com a aceitação social de novas formas familiares e de convivência e, também, com a aplicação das tecnologias reprodutivas para conseguí-las—. Tudo isso converteu a maternidade em objeto de debate social, implicando aos mais diversos setores sociais.
O estudo tomou como marco etnográfico de investigação as províncias de Arava, Bizkaia, Gipuzkoa e Navarra. As quatro províncias contempladas se caracterizam por uma taxa de natalidade muito baixa que perdura desde princípios dos anos oitenta, uma maternidade tardia, dificuldades de inserção trabalhista das mulheres em idade reprodutiva, o atraso na emancipação dos jovens do lar familiar...
Conquanto todas estas características são constantes nos países europeus da cuenca mediterrânea durante os últimos anos do século XX e princípios do XXI, o atraente da região analisada é, provavelmente, a intensidade e persistência com a que se dão todas estas variáveis: as províncias vascas do sul mantêm as taxas mais extremas quanto à natalidade, a idade média das mulheres no primeiro parto e a média de filhos por mulher.
As entrevistas realizadas a mulheres durante a gravidez de seu primeiro filho ou filha foram a fonte principal e mais rica de informação desta investigação. Através de diversas sessões distribuídas durante e depois da gravidez, o objetivo era analisar as circunstâncias, reflexões e vivências vinculadas com o trânsito à maternidade, fixando-se nas projeções que sobre sua recém estreada situação fazem as mulheres. Ademais, pretendeu-se analisar como vão gerindo as mulheres sua nova condição social e conhecer como vêem sua própria trajetória vital a partir da maternidade.
Uma percepção comum de todas as participantes e uma possível conclusão do estudo é que se sentem testemunhas e protagonistas de uma mudança de geração que transformará a maternidade, a forma de gerí-la e as relações que a partir dela se estabelecem. São as mulheres as que estão mudando e, com elas, a relação com seus casais, sua forma de perceber a família e o lugar que esta ocupa em suas vidas.
As reformas legislativas de caráter tanto estatal como autonômico que se produziram em muito poucos anos e que afetam diretamente à maternidade, a sua concepção e a seu exercício são prova de que a maternidade está em pleno processo de transformação: leis de casal de fato, lei de casais homossexuais, introdução de quinze dias de baixa por paternidade...
O trabalho de campo mostra que as mulheres que vão ser mães fazem referência às diferentes opções que reconhecem em seu meio, valorizam-nas, conferem, informam-se e pedem conselho. Nelas, encontram peças para a construção dessas novas maternidades que sentem que estão elaborando.
Há que destacar, apesar de tudo, que nas mudanças que se percebem, o casal heterossexual, casada ou em cohabitación, segue sendo o âmbito quase exclusivo no que as mulheres se convertem em mães.
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